quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Tópicos Avançados de Filosofia Contemporânea


Tópicos Avançados de Filosofia Contemporânea
A disciplina tem por objetivo promover o aprofundamento dos alunos no estudo de questões relevantes da filosofia contemporânea através da eleição de temas e problemas mais específicos, tais como: o ressurgimento da dialética na modernidade e seus desdobramentos nos séculos XIX e XX, a problemática do niilismo, a fundamentação filosófica, as grandes correntes da filosofia contemporânea, fenomenologia, hermenêutica, teoria crítica, pós-estruturalismo, filosofia analítica, pragmatismo, estética e racionalidade filosófica, o fim da filosofia como tema da filosofia, linguagem, o fim da arte, razão e história, a crise da ciência no século XX, as relações entre ciências humanas e filosofia etc.

Proposta
A proposta do curso é uma exploração da temática “Verdade e cinismo”. Tem como intenção uma contribuição para a reflexão sobre a “crise da verdade” (entendida vagamente como “pós-verdade”) e algumas propostas filosóficas para lidar com o problema da verdade enquanto “sinceridade”, propostas recorrentes no pensamento contemporâneo desde o século dezenove. Para isso, analisaremos diferentes formas de discurso análogas ao cinismo, como a ironia e o chiste, assim como o niilismo entendido como dissolução do fundamento seguro do discurso verdadeiro.
Autores tão diferentes como os românticos alemães (os irmãos Schlegel e Novalis, entre outros), Kierkegaard e Nietzsche, no século dezenove, e no século vinte, Foucault, Cioran e Sloterdijk, tematizaram, cada um à sua maneira, a questão da crise do discurso filosófico e exploraram a temática do cinismo, analisando outras formas de discurso como a ironia e o chiste. Alguns como forma de superação do niilismo, outros como aprofundamento do mesmo (o abandono do discurso sobre a verdade e a falência da crítica filosófica).
Tentaremos explorar a temática do cinismo analisando em que medida ele pode ser considerado um processo de autocrítica da razão, isto é, uma razão que se volta contra si mesma. Ao ironizar todas as condutas, o cínico declara a ausência de qualquer verdade absoluta e dissolve todas as determinações. Ocorre, porém, que tal estratégia tem sido deslocada da esfera filosófica para a esfera pública, o que tem resultado numa ironização da verdade para fins ideológicos (como falso discurso). Tal situação tem colocado em xeque a capacidade da crítica como superação da falsa aparência.

Programa
  1. 13/02 – Apresentação do curso:
  2. 20/02 – O cinismo antigo
  3. 27/02 – As lições de Foucault
  4. 13/03 – Cinismo e ironia na modernidade: o sobrinho de Rameau
  5. 20/03 – A ironia romântica
  6. 27/03 – A crítica hegeliana
  7. 03/04 – Cinismo e niilismo (Nietzsche e Cioran)
  8. 10/04 – A ironia em Kierkegaard
  9. 17/04 – Cinismos em Sloterdijk
  10. 24/04 – Cinismo e Crítica da Ideologia
  11. 08/05 – Verdade e pós-verdade

Bibliografia básica

DIDEROT, D., “O sobrinho de Rameau”. In: Textos escolhidos. São Paulo, Abril Cultural, 1979. Col. Os pensadores. 
FOUCAULT, M. A coragem da verdade. São Paulo: Wmf Martins Fontes, 2011.
KIERKEGAARD, S. A. O conceito de ironia constantemente referido a Sócrates. Petrópolis, RJ: Vozes, 1991.
NAVIA, L. E. Diógenes, o cínico. São Paulo: Odysseus Editora, 2009.
SAFATLE. V. Cinismo e falência da crítica. São Paulo: Boitempo, 2008.
SLOTERDIJK, P. Crítica da Razão Cínica. São Paulo: Estação Liberdade, 2012
ZIZEK, S. “Como Marx inventou o sintoma?”. In: ZIZEK, S (Org). Um mapa da ideologia. Rio de Janeiro: Contraponto, 1999.

Bibliografia complementar

ARANTES, P. E. Ressentimento da Dialética, São Paulo: Paz e Terra, 1996.
BRANHAM, B. e GOULET-CAZÉ, M. O. Os cínicos: o movimento cínico na Antiguidade e o seu legado. São Paulo: Loyola, 2007.
COMTE-SPONVILLE, André. Valor e Verdade: estudos cínicos. São Paulo: Martins Fontes, 2008.
CIORAN, Emil. Oeuvres. Paris, Gallimard, 1995.
DUNKER, C...[et all] Ética e pós-verdade. Porto Alegre: Dublinense, 2017.
EAGLETON, Terry. Ideologia. Uma Introdução. São Paulo: Unesp, Boitempo, 1997.
HEGEL, G. W. F. Cursos de Estética. São Paulo: Edusp, 2001.
KEYES, R. A era da pós-verdade. Desonestidade e enganação na vida contemporânea. Petrópolis: Vozes, 2018
RORTY, R. Contingência, ironia e solidariedade. São Paulo: Martins, 2007.
SCHLEGEL, F. O dialeto dos fragmentos. São Paulo: Iluminuras, 1997.
SUZUKI, M. O gênio romântico. São Paulo: Iluminuras, 1998.
TORRES F., R. R. Ensaios de Filosofia Ilustrada, São Paulo: Iluminuras, 2004.
VATTIMO, Gianni. O fim da modernidade: Niilismo e hermenêutica na cultura pós-moderna. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
VOLPI, F. O Niilismo. São Paulo: Edições Loyola, 1999.



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