Tópicos Avançados de Filosofia
Contemporânea
A disciplina tem por
objetivo promover o aprofundamento dos alunos no estudo de questões relevantes
da filosofia contemporânea através da eleição de temas e problemas mais
específicos, tais como: o ressurgimento da dialética na modernidade e seus
desdobramentos nos séculos XIX e XX, a problemática do niilismo, a fundamentação
filosófica, as grandes correntes da filosofia contemporânea, fenomenologia,
hermenêutica, teoria crítica, pós-estruturalismo, filosofia analítica,
pragmatismo, estética e racionalidade filosófica, o fim da filosofia como tema
da filosofia, linguagem, o fim da arte, razão e história, a crise da ciência no
século XX, as relações entre ciências humanas e filosofia etc.
Proposta
A proposta do curso é
uma exploração da temática “Verdade e cinismo”. Tem como intenção uma
contribuição para a reflexão sobre a “crise da verdade” (entendida vagamente
como “pós-verdade”) e algumas propostas filosóficas para lidar com o problema
da verdade enquanto “sinceridade”, propostas recorrentes no pensamento
contemporâneo desde o século dezenove. Para isso, analisaremos diferentes
formas de discurso análogas ao cinismo, como a ironia e o chiste, assim como o
niilismo entendido como dissolução do fundamento seguro do discurso verdadeiro.
Autores tão diferentes
como os românticos alemães (os irmãos Schlegel e Novalis, entre outros),
Kierkegaard e Nietzsche, no século dezenove, e no século vinte, Foucault,
Cioran e Sloterdijk, tematizaram, cada um à sua maneira, a questão da crise do
discurso filosófico e exploraram a temática do cinismo, analisando outras
formas de discurso como a ironia e o chiste. Alguns como forma de superação do
niilismo, outros como aprofundamento do mesmo (o abandono do discurso sobre a
verdade e a falência da crítica filosófica).
Tentaremos explorar a
temática do cinismo analisando em que medida ele pode ser considerado um
processo de autocrítica da razão, isto é, uma razão que se volta contra si
mesma. Ao ironizar todas as condutas, o cínico declara a ausência de qualquer
verdade absoluta e dissolve todas as determinações. Ocorre, porém, que tal
estratégia tem sido deslocada da esfera filosófica para a esfera pública, o que
tem resultado numa ironização da verdade para fins ideológicos (como falso
discurso). Tal situação tem colocado em xeque a capacidade da crítica como
superação da falsa aparência.
Programa
- 13/02
– Apresentação do curso:
- 20/02
– O cinismo antigo
- 27/02
– As lições de Foucault
- 13/03
– Cinismo e ironia na modernidade: o sobrinho de Rameau
- 20/03
– A ironia romântica
- 27/03
– A crítica hegeliana
- 03/04
– Cinismo e niilismo (Nietzsche e Cioran)
- 10/04
– A ironia em Kierkegaard
- 17/04
– Cinismos em Sloterdijk
- 24/04
– Cinismo e Crítica da Ideologia
- 08/05
– Verdade e pós-verdade
Bibliografia básica
DIDEROT, D., “O sobrinho de Rameau”. In: Textos escolhidos. São Paulo, Abril
Cultural, 1979. Col. Os pensadores.
FOUCAULT, M. A coragem da verdade. São Paulo: Wmf
Martins Fontes, 2011.
KIERKEGAARD, S. A. O conceito de ironia constantemente referido
a Sócrates. Petrópolis, RJ: Vozes, 1991.
NAVIA, L. E. Diógenes, o cínico. São Paulo: Odysseus Editora, 2009.
SAFATLE. V. Cinismo e falência da crítica. São
Paulo: Boitempo, 2008.
SLOTERDIJK, P. Crítica da Razão Cínica. São Paulo:
Estação Liberdade, 2012
ZIZEK, S. “Como Marx inventou o sintoma?”. In: ZIZEK, S (Org). Um
mapa da ideologia. Rio de Janeiro: Contraponto, 1999.
Bibliografia
complementar
ARANTES, P. E. Ressentimento
da Dialética, São Paulo: Paz e Terra, 1996.
BRANHAM, B. e GOULET-CAZÉ, M. O. Os
cínicos: o movimento cínico na Antiguidade e o seu legado. São Paulo:
Loyola, 2007.
COMTE-SPONVILLE, André. Valor e
Verdade: estudos cínicos. São Paulo: Martins Fontes, 2008.
CIORAN, Emil. Oeuvres. Paris, Gallimard, 1995.
DUNKER, C...[et all] Ética e pós-verdade. Porto Alegre:
Dublinense, 2017.
EAGLETON, Terry. Ideologia.
Uma Introdução. São Paulo: Unesp, Boitempo, 1997.
HEGEL, G. W. F. Cursos de Estética. São Paulo: Edusp, 2001.
KEYES, R. A era da pós-verdade. Desonestidade e
enganação na vida contemporânea. Petrópolis: Vozes, 2018
RORTY, R. Contingência, ironia e solidariedade. São
Paulo: Martins, 2007.
SCHLEGEL, F. O
dialeto dos fragmentos. São Paulo: Iluminuras, 1997.
SUZUKI, M. O gênio
romântico. São Paulo: Iluminuras, 1998.
TORRES F., R. R. Ensaios
de Filosofia Ilustrada, São Paulo: Iluminuras, 2004.
VATTIMO, Gianni. O fim da modernidade: Niilismo e hermenêutica
na cultura pós-moderna. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
VOLPI, F. O
Niilismo. São Paulo: Edições Loyola, 1999.